Descrição
O espaço em uma obra narrativa transcende a mera função de cenário ou ambientação: ele é repleto de informações socioculturais que influenciam as personagens e conduzem o pacto de leitura. Mas o que acontece quando esse elemento diegético é projetado para aprisionar, sufocar e aterrorizar?
Esta obra lança um olhar agudo sobre as poéticas espaciais na literatura para investigar como o sentimento do medo se manifesta e se materializa por meio do ambiente. Partindo da premissa de que certas atmosferas de agonia e terror são indissociáveis dos lugares em que ocorrem, o livro demonstra que, sem a arquitetura espacial adequada, o próprio medo não se sustenta na narrativa.
Tomando o sertão como fio condutor, desconstrói-se visões reducionistas e estigmatizadas da região. Aqui, o sertão emerge como um território insólito, onde o real prosaico e o sobrenatural se imbricam por meio de lendas e crendices populares.
A partir de contos de Afonso Arinos, Guimarães Rosa, Monteiro Lobato, Hugo de Carvalho Ramos e Bernardo Élis, analisa-se como o macroespaço se desdobra em microespaços opressores. O resultado é uma sofisticada cartografia dos espaços do medo nos múltiplos sertões, indispensável para quem deseja compreender as profundas conexões entre espaço e medo.





