Descrição
Jeová Santana, em seu livro Poemas passageiros, apaga as fronteiras entre artes, áreas do conhecimento, tempos e espaços. Como o título indica, ele transita por vários territórios, sem preocupação com tarifas cobradas ou devidas. Desautoriza a alfândega, contrabandeia, no melhor sentido dessa palavra, não se curva às imposições das etiquetas classificatórias, definidoras. Seus poemas são passageiros de uma viagem pelas possibilidades de escrita, pelos caminhos de uma leitura que se faz com olhos e ouvidos atentos. (…) Lemos os poemas de Jeová e refazemos seu percurso pelos territórios da poesia, não apenas brasileira, em diversos períodos, da erudita à denominada popular, da oral à escrita, da publicada à que veio à público em discos e CDs.
Em seu trânsito, mistura mapas, convidando o leitor a habitar outros territórios, ainda desconhecidos, a revisitar outros já frequentados. As passagens de Jeová pelos territórios da criação nos lembram que as hierarquias postuladas pelos manuais didáticos ou pelos críticos conservadores são passíveis de questionamento. Não há hierarquia entre popular e erudito, entre contemporâneo e clássico, entre passado e presente, entre poesia e música. As fronteiras entre os tempos e os campos são continuamente redesenhadas pelos caminhos da leitura, pelas linhas tortas da escrita que podem nos levar à terceira margem, onde habita o desconhecido, o desejado, o imaginado. (…)
Vale destacar o percurso de publicação deste livro do professor, crítico, pesquisador, poeta e contista Jeová Santana, publicado em português pela Universidade Estadual de Alagoas. Agora a editora Pontes publica sua tradução, realizada com maestria por Raquel La Corte, que faz uma viagem pelos sons, imagens e sentidos dessa poesia. Raquel lê essa obra e a leva para o universo da língua espanhola, ampliando os mapas de circulação desses versos, reinventados e oferecidos generosamente a leitores de outros países, culturas e tradições poéticas.
Susana Souto






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