Descrição
Passando os olhos pelos textos que compõem o presente número me chama atenção não só o amplo espectro de trabalhos contemplados, como sua originalidade e inovação. Não é uma tarefa simples essa de procurar aproximar áreas com aparatos teóricos e metodológicos tão complexos e conseguir, ao mesmo tempo, apontar pontos em comum e especificidades que os distinguem. São trabalhos de alunos dos cursos da UFRGS e da UNICAMP, que provocados e inspirados por Jacob, escreveram seus ensaios, buscando a difícil articulação entre dispositivo teórico e analítico.
Destaco a singularidade dos temas, passando de contos de Clarice Lispector, a romances de Érico Veríssimo, Graciliano e uma surpreendente abordagem de Darcy Ribeiro, no rol dos literatos, até análise delicada de primorosa canção de Edu e Chico sobre a vida “perfeita” da bailarina, com incursões pelo corpo indígena, pelo olhar do outro frente a uma pessoa com deficiência, até questões de gênero e de identidade, entre muitos outros. Fiz aqui essa breve amostra para estimular o leitor a descobrir por si por quais textos será capturado. E certamente isso haverá de acontecer, ou por laços teóricos, subjetivos, estéticos, ou tudo incluído. (…)
Entre nós, analistas de discurso brasileiros, também é mantida acesa a chama da ousadia, da irreverência, da singularidade, ao pensar a prática literária a partir da articulação teórica com a prática de escrita, a prática de crítica/comentário e a de institucionalização dos estudos literários. E Jacob Biziak consegue, com maestria, realizar esse feito com mais esse livro coletivo que nos dá indícios de que caminhamos em terreno fecundo, ao tentar criar laços com áreas próximas, com as quais iluminamos e somos iluminados em nossa caminhada.
Maria Cristina Leandro Ferreira












