Descrição
Há viagens que não começam no aeroporto nem terminam no retorno. Começam muito antes — na infância, no exílio, em memórias que se tornam nossas, em línguas que aprendemos sem saber que já sabíamos.
Ana Rossi viajou ao Chile pela primeira vez em fevereiro de 2024. Mas os poemas deste livro dizem outra coisa: que ela já estivera ali, em suas ruas, em seus vulcões, no deserto de Atacama, antes mesmo de nascer, bem antes de nascer. “Sempre fui chilena desde há milênios”, escreve. E o leitor acredita, porque a voz que atravessa estas páginas não é a de uma turista, mas a de alguém que reconhece o que vê pela primeira vez, como se fosse seu.
Escritos originalmente em espanhol e vertidos ao português pela própria autora, os poemas deste livro são um exercício de duplo pertencimento: a uma língua que a acolheu, a um país que a esperava, a uma infância que viveu o exílio. Entre Santiago de Chile e Puerto Montt, entre a Bélgica de 1974 e as ruas chilenas de 2024, Ana Rossi tece uma geografia afetiva onde as fronteiras se dissolvem e o que importa é a intensidade do encontro.
“Chegou a hora destes poemas e desta memória saírem para passear pelo mundo.” E eles saem, leves como condores, firmes como os tremores da terra que sua alma nunca esqueceu.












