Descrição
António Lobo Antunes é um escritor central na Literatura Portuguesa da segunda metade do século XX e primeiras décadas do XXI. Como costuma acontecer com todos os grandes criadores de mundos ficcionais, há que se preparar para lê-lo. Estabelecer familiaridade com um autor, desenvolver um tipo de intimidade inquieta que exige conhecer/ler toda a sua obra, da juvenilia ao opus posthumum (no caso de Lobo Antunes já está anunciada, no momento em que escrevo, a publicação de um livro de poemas) é tarefa árdua e reflexiva capaz de ocupar toda uma existência.
Morto nos idos de março deste ano de 2026, cabe agora a pergunta: Para onde irá a ficção portuguesa depois de Lobo Antunes? Não se sabe, mas qualquer que seja o caminho, terá que atravessar, de um modo ou outro, esta ficção com poesia dentro, que é a obra monumental por ele legada.
Este livro, intitulado Madrugadas sem fim, provavelmente a primeira coletânea de ensaios críticos a vir à luz após o desaparecimento do escritor a 05/03/2026, terá, tudo indica, com o passar dos anos importância histórica. Configura-se na reunião dos trabalhos apresentados por diversos pesquisadores antunianos nacionais e internacionais, no II Seminário Internacional António Lobo Antunes, realizado entre 13 e 17 de outubro de 2026, na Universidade Estadual de Feira de Santana (Bahia).
Tudo somado, a obra de Lobo Antunes, como bem o demonstram os textos deste livro, é o lugar de uma coesa e muito coerente reflexão sobre o romance, pensado, neste autor, menos como questão de realidade e mais como problema de linguagem.
Daí a sua condição de “romance do pensamento”, à maneira de uma máquina pulsante a engendrar um incessante rumor fabulatório que jamais deixará de encantar seus leitores.












