Descrição
Se esta coletânea se oferece como homenagem, ela o faz não pelo gesto passivo da reverência, mas pela potência de uma continuidade viva. “Aos Indígenas: Para o Bem Viver” inscreve-se no horizonte de uma ciência que se recusa a separar vida, memória, História, linguagem e território.
O nexo fundacional do livro é legado intelectual da Professora Rosa Virgínia Mattos e Silva, uma figura seminal na Linguística Histórica brasileira, e de seu companheiro de vida, Pedro Agostinho da Silva, notável etnógrafo, antropólogo e arqueólogo luso-brasileiro.
O livro articula-se em torno do conceito de “Bem Viver” (Sumak Kawsay, na tradição andina, ou Teko Porã, na guarani), não como uma metáfora poética, mas como uma categoria analítica e uma proposta de civilização.
Ao reunir Bioarqueologia, Linguística Histórica, Filologia, História e Antropologia, a coletânea realiza um movimento de dupla hélice: mergulha nas profundezas do tempo, para resgatar as origens da ocupação humana nas Américas, e projeta, a partir dessa ancestralidade, horizontes de futuro possíveis. Assim, edifica-se sob a ótica de um projeto de ciência multidisciplinar e atual, no qual cada capítulo contribui para desconstruir as narrativas eurocentradas de apagamento, silenciamento e restituir aos povos indígenas o seu protagonismo na construção e consolidação do território que hoje chamamos de Brasil. Assim, a composição desta obra não é apenas temática; é também política e epistemológica.
Este livro importa, porque nele a homenagem se transforma em método, a memória em programa de pesquisa e o “Bem Viver” em horizonte crítico para a ciência e para a vida.
Belo Horizonte, 10 de março de 2026.
David Barbuda Ferreira
Universidade Federal de Minas Gerais.












