Descrição
A expansão da educação bilíngue no Brasil tem despertado, com razão, entusiasmo e esperança. A presença de mais línguas no cotidiano escolar pode representar um passo importante rumo a uma escola mais plural, conectada com diferentes mundos e modos de viver. No entanto, toda política linguística carrega em si disputas por sentidos, projetos de sociedade e modos de produção de conhecimento. É nesse contexto que se torna urgente e necessário pensar a educação bilíngue pública para além de seu aparente benefício técnico-linguístico.
As escolas bilíngues públicas não podem apenas replicar modelos prontos, importados e frequentemente coloniais de ensino de línguas — elas devem inventar outros modos possíveis de ensinar, aprender e viver em mais de uma língua, sempre atentos à realidade local. É exatamente esse o compromisso do livro que o leitor tem em mãos. Essa coletânea nasce da urgência de sistematizar e tornar visíveis as experiências que vêm sendo construídas nos territórios escolares em articulação com a universidade pública brasileira.
Fruto de um projeto de pesquisa financiado pelo CNPq, o livro reúne análises potentes de práticas em curso em redes municipais como Ibiporã, Pomerode, Blumenau, São Luís e Bombinhas. São capítulos que refletem a complexidade da implementação da educação bilíngue no setor público — com suas potências, contradições e utopias.
Antonieta Megale






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