Descrição
Os povos tradicionais do continente sul-americano – indígenas, quilombolas, ribeirinhos, caiçaras, entre muitos outros – têm seus modos de vida continuamente ameaçados pelo avanço do capitalismo industrial e pela crise climática que é efeito deste. Sem presumir que estejam presos ao passado, esses grupos experimentam, não obstante, contradições e tensionamentos no convívio com a sociedade circundante. Entre a preservação da identidade e a participação no devir histórico, levantam-se questões difíceis para sua autogestão.
Os ensaios reunidos nesta coletânea interessam-se por diferentes facetas dessa problemática, dando seu contributo para o reconhecimento de culturas tradicionais sul-americanas como elementos constitutivos daquilo que nos torna filhos deste continente – sem esquecer, também, suas matrizes africanas. Busca-se, outrossim, construir saberes e práticas que não cessem de se inscrever no mundo moderno, um mundo de cuja invenção reivindicamos o direito de participar, e no qual desejamos ver as marcas dessa ancestralidade.
Esses saberes encontram-se em diálogo com os modos de vida das sociedades científico-industriais e não necessariamente se opõem a eles na forma de um dilema, uma necessidade de escolher entre dois mundos – mas não há dúvida de que estabelecem conflitos com elas e traçam caminhos marcados pelo paradoxo e pela ambivalência.






Avaliações
Não há avaliações ainda.